*** Pântaninho ***

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** Antiga São Carlos do Pântano **

Lagoa da Prata A Princesinha do Centro Oeste Mineiro

Lagoa da Prata A Princesinha do Centro Oeste Mineiro

Àrea Central de Lagoa da Prata

Lagoa da Prata Tem Jeito Jesus

Lagoa da Prata Tem Jeito Jesus
O Rei do Universo Infinito Criador da Existência

Dom Manoel Nunes, Primeiro Bispo Diocesano Grande Benemérito da Cidade de Luz


Distrito de Aterrado Rumo à Emancipação de Seu Território.

As Visitas Pastorais de Dom Manoel Nunes À Todas Paróquias da Diocese de Luz 

A inauguração da energia elétrica trouxe para os habitantes do Aterrado a esperança e certeza que dias melhores viriam. As palavras de Dom Manoel, pronunciadas na missa de natal, que iria lutar pela emancipação política do Aterrado ecoava em todos os cantos da diocese. O Aterrado atraia novos moradores vindos de Pitangui, Santo Antonio do Monte, Dores do Indaiá, São Gonçalo e de outras regiões. O grande lago formado para a geração de energia se tornou ponto turístico do arraial e local de encontro dos jovens, passou a ser conhecido como Usina. O clima de alegria e a confiança de que o desenvolvimento iria chegar contaminava os habitantes locais. Era a hora de ir à luta e procurar apoio político para que a emancipação viesse rapidamente. Em reunião com as lideranças políticas Dom Manoel dava impulso para que o Aterrado se tornasse município e se desmembrasse de Dores do Indaiá. Era uma luta difícil porque, embora fosse sede de bispado, a população local não atingia o mínimo necessário para sua emancipação.



A Luta Pela Emancipação do Distrito
Dom Manoel começou a luta pela criação do município de Luz logo após a chegada ao Arraial. Procurou o Governador do Estado Dr. Artur Bernardes que prometeu ao senhor bispo criar o município de Luz na primeira oportunidade e que seria servido por estrada de ferro, partindo de Lagoa da Prata até atingir a região de Uberaba. As dioceses de Uberaba e do Aterrado seriam beneficiadas com a linha férrea, linhas de comunicação por telégrafo e abertura de agências dos Correios nas várias cidades da região. Dom Manoel sugeriu que fosse feita uma ligação por via rodoviária ao invés de ferroviária, porque tinha experiências fracassadas como a ligação férrea entre Formiga e Itapecerica que nunca foi concluída. Artur Bernardes disse que instalaria uma ponte metálica para estrada de ferro que poderia ser utilizada tanto pelas locomotivas como por veículos ligando Lagoa e Luz. O tempo passou e Dr. Raul Soares foi empossado como governador mineiro. Tudo voltava à estaca zero com relação à criação do município. Dom Manoel, como bispo da diocese, não poderia assumir sozinho a luta pela emancipação do Aterrado por ter que fazer as visitas pastorais a outras paróquias. A falta de apoio e a resistência de Francisco Campos, deputado da região e do Governador do Estado Raul Soares tornava a missão de Capitão Du, Dr. Peri, Washington Gomes (Achinho) e Dr. Josaphat Macedo mais espinhosa. Numa das folgas de suas visitas pastorais Dom Manoel acompanhado pelas lideranças do Aterrado e ao lado do bispo da capital Dom Antônio dos Santos Cabral procurou Dr. Raul Soares para revindicar a criação do município. A alegação de que o Arraial do Aterrado era sede de bispado, embora não tivesse 20.000 habitantes conforme exigia a lei não comovera o então governador que respondeu: ”Quem mandou criar bispado num lugar desse!” Não se dando por vencido Dom Manoel e sua comitiva se dirigiram para o Rio de Janeiro. Encontraram com o Cardeal Joaquim Arcoverde da Diocese do Rio e foram até o Palácio do Catete, numa audiência com Artur Bernardes que havia assumido a Presidência da República. O Presidente Artur Bernardes tranquilizou a comitiva e que na primeira reunião do Congresso iria enviar o projeto de criação do município. O projeto foi aprovado sem discussão.


O Telegrama de Confirmação da Villa Luz do Aterrado

Por entre vibrantes manifestações de júbilo recebeu o Aterrado a notícia de sua elevação a município. É do theor o cartão que o illustre representante desta circunscripção eleitoral, Exmo Snr Dr Adelio Dias Maciel, Deputado ao Congresso Mineiro, dirigiu-se ao presidente do Directório Político local: “Ao prezado Amigo e Chefe Coronel Alexandre Dú, Adelio Dias Maciel cumprimenta affentuosamente e felicita pela creação do Município de Luz do Aterrado.” Bello Horizonte, 26/07/1923. Ao espoucar de fogos foram erguidos vivas e muito acclamado os nomes de S. Excia Revma o Snr D. Manoel Nunes Coelho, do Exmo Sr. Dr. Campos e dos ilustres próceres do governo da União, do Estado e do Município. (grafia original da época publicado no jornal Luz do Aterrado) Elevado à categoria de município com a denominação de Luz, pela Lei estadual nº 843, de 07- 09-1923, desmembrado do município de Dores do Indaiá. Constituído dos distritos: Esteios, desmembrado de Santo Antônio do Monte e Córrego Danta, desmembrado de Bambui. (obs: 26/7/1923 criação do município e publicado no Diário oficial em 7/9/1923). Criado o município Dom Manoel voltava à rotina de bispo e ia ao encontro de suas ovelhas.

O Pastor ao Encontro das Ovelhas Dom Manoel Visita Dores do Indaiá

Dom Manoel procurou conhecer a diocese, os padres, as paróquias e capelas que compunham o território sob a sua administração nas visitas pastorais. Nos dois primeiros anos (1921-1923) conseguiu percorrer toda a diocese mostrando a importância do bem espiritual e material para cada um. Conclamava os fiéis a frequentar as missas e apoiar o trabalho dos padres. A escassez de sacerdotes levou Dom Manoel a estudar a possibilidade de se criar um seminário para a formação de padres que iriam trabalhar nas paróquias e capelas espalhadas pelas regiões mais longínquas da diocese. Em julho de 1924, Dom Manoel celebrou o 1° Sínodo Diocesano que discutiu vários assuntos entre os quais a divulgação e criação de irmandades e incentivar a leitura de revistas e jornais católicos. Após o sínodo Dom Manoel volta a percorrer a diocese em visitas pastorais. O colunista irá registrar a visita a Dores do Indaiá segundo relato publicado pelo Senhor Bispo em 1941. Dores do Indaiá, sede da paróquia, tinha aproximadamente 15.000 fiéis sendo 7.000 na cidade. Sua matriz consagrada a Nossa Senhora das Dores foi inaugurada em abril de 1921, antes da posse do bispo diocesano. Possuía quatro capelas na sede consagradas a São José e Imaculada Conceição, dirigidas pelas Irmãs Vicentinas diretoras do Pensionato da Escola Normal e da Santa Casa; Capela do Rosário e São Vicente. Havia ainda as capelas de São João Batista no Quartel São João; Divino Espírito Santo em Quartel Geral e Nossa Senhora do Carmo na Serra da Saudade. O seminário diocesano, sonhado por Dom Manoel, foi construído em Dores do Indaiá pelos padres Sacramentinos que funcionava também como Escola Apostólica.

A paróquia de Dores do Indaiá foi criada em 1805, pertencendo à diocese de Olinda, Mariana e atualmente a diocese de Luz. Muitas irmandades fizeram e fazem parte das associações católicas: Apostolado da Oração, Filhas de Maria, Mães Cristãs, Vicentinos, Irmandade de Nossa Senhora das Dores, Congregação Mariana e de Nossa Senhora do Rosário. Festas religiosas são comemoradas na cidade entre as quais se destacam: São Sebastião, Nossa Senhora das Dores e Festa do Rosário. Alguns jornais católicos circularam e alguns ainda circulam: A Luz, o Lutador, Lar Católico, Ave Maria, o Diário e o Domingo. A contribuição para a OVS foi compensada pela construção do Seminário Sacramentino, que funcionou durante anos. 



Histórico de Dom Manoel Nunes, Primeiro Bispo Diocesano da Diocese de Luz.
http://lagoadaprata9.blogspot.com.br/p/dom-manoel.html



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